domingo, 6 de maio de 2012

POESIAS


Mirada

Derreto em camas,
planejo auroras
acudo ao teto
tua imagem aflora.

Na guia não tem
Livro que explora
As letras precisas
do teu nome senhora.

Por ter andado
Estrada afora
raras paisagens
tua pele forma.

No mapa não tem
Linhas e cordas
No fogo descansa
Minha alma que chora.

É na mirada de um boneco
Ou num beijo na praça
No que não tem explicação
que te invade e arrasta.

É na mirada que você me deixou
E não consigo apaga-la
Sou uma letra que naufragou
Neste oceano de palavras.



Esteban Carlos Arenillas




TRISTEZA 

Ah, essa sensação...
De querer chegar depressa
A um lugar
Qualquer direção.

Mas, uma corda me impede
Feita de tristeza,
Invade meu coração
me oprime,
Não me deixa,
Caminho e fico na mesma posição.

Só posso olhar em frente,
Aos lados outras dimensões,
Riem, pulam,
Preparam-se para brincar.

São como murmulhos que assopram.
Murmulhos que eu escuto
Como uma concha no mar,
E essa corda que não me solta...
Fecho os olhos para despertar.

                                                                                                                

                                                                   Esteban Carlos Arenillas/2012
                                                                            




                                   

OS MEDIDORES DE LUZ NO MURO

Os medidores de luz no muro
Pressagiam algo que sucederá na calçada
Noturna noite de lembranças
aninham-se no ar da tormenta.


O tempo que deixou sua marca
Ri a toa com o vento  dos suspiros
Pensamentos se repetem na carne
Pulsando o sangue em remoinhos.

Já me deixo
Já me quebro
Já me enlaço
No inverno do teu abraço.

Na calçada noturna se medem
As luzes e sombras dos passos
Perfume que avança e inunda
Os presságios da tormenta no meu ninho.



                                                                 E.C.A/06/2013

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